sábado, 21 de setembro de 2013

Tu  chamavas-me «meu sol» , « meu húmus» , « minha chuva» . E eu me sintia díspar , como se já soubesse então que a natureza - de se repetir - nos leva aos lugares mais comuns . Tu não conhecias tantas palavras assim : o teu corpo  fazia-te pródiga , magnânima , reconhecida : eu não era seguramente o que tu dizias . Mas também eu já tinha sido estrangeiro numa cidade feliz e estivera nesse exagero . Se   amava ou adormecia , eu era uma árvore , uma erva , uma rosa presa à terra , numa inquebrável convicção . Durante muito  tempo vivi perplexo com tudo isso , como se eu fora uma planta tenra , intrigado de me sentir repleto com tão pouco , um fio d ' água , um astro , um lugar . Não voltei a esse estado de graça onde tu agora estás e hás-de necessariamente ser arrebatada porque és nova : a vida está sempre a mudar . Lembra-te : só quem se esquece torna ao país da saciedade  . Ser até só , irremediavelmente , mas ser contente : nisso insisto ,  nisso escrevo , nisso  atento . ( ST. Nove historias ) 

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