segunda-feira, 30 de setembro de 2013



  «A luz daqui é extraordinária , talvez que por estarmos tão perto do pólo aconteça assim , nao sei que outra explicação possa dar . Em todas as viagens que fiz , não encontrei uma luz tão suave . Em Husey , o ar era azul .
     Husey é o nome de uma quinta , no Nordeste - ocupa um fiorde inteiro . A ilha é de tal forma enorme e despovoada , que constam na sua cartografia os nomes de todas as quintas existentes . São assim , de alguma forma , aldeias de laboratório , o protótipo das futuras cidades . Os donos - Laufn e Onn . e os dois filhos , vivem na casa principal que fica contígua ao pequeno hostel que exploram nos meses de Verão . Vivem aqui o ano inteiro , tomam conta de oitenta cavalos , 30 ovelhas , uma vaca leiteira , galinhas , pombos , patos , um cão pastor das Shetlands e uma foca bebé , adoptada . Durante o Verão , dois auxiliares são contratados para ajudar na administração da propriedade .
    Uma grande quantidade de arrojos chegam às praias depois do Inverno . Chegam dos mais insuspeitados lugares , trazidos por um mar implacável : da Sibéria e da Noruega e também do Canadá - madeira sobretudo , enormes troncos - Muito deste material é aproveitado há décadas pelos locais - serve como material para construção de currais , cercas , postes de iluminação ou simplesmente combustível , para as semanas mais frias do ano .
     Pergunto a Laufn , como é a vida na quinta durante o Inverno , os olhos dele brilham : - Em Setembro chega a neve , e tudo fica branco , diz-me . Os filhos vao a escola e a casa fica quente , cuidamos dos animais com a forragem que guardamos e temos mais tempo para conversar . Depois , abre ainda mais o sorriso - e acrescenta : - No Inverno , não vem ninguém . »  

S.T. Nove histórias 

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