sexta-feira, 20 de setembro de 2013


Desde o primeiro dia que sabia que havia de ser assim , a vilegiatura da dôr . Foi-se embora sem me avisar , essa dona da ubiquidade . Está pois vago o meu coração , soube-o esta tarde porque me perguntei . E isto é um segredo , pequeno júbilo , alento e susto , não o digo a ninguém . Retomei a posse do que era meu . Desse quarto nas águas furtadas - onde ela dormia enquanto eu vivia e o contrário também era costume acontecer - farei uma pequena sala de estar , forrada com papel de flores e livros e uma gaiola com pássaros de cartolina e um astrolábio e uma pequena árvore de cannabis, não quero mais inquilinos , nem contratos , nem enganos , talvez um gato sim ou um aquário cheio de peixes quietos : tenho menos medo do silêncio do que tenho medo de mim .  ( S.T. , Os diários de Rapa Nuï )

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