sábado, 26 de outubro de 2013


    Esta casa , está cheia de retratos vazios e de conspirações inúteis . Bebo café , como antigamente - na minha sala de estar . A paisagem é de um cipreste e um farol familiar - e o mar quase sempre iridescente . 
      Trinta e nove dias depois , a posição do sol mudou 20º por referência a Nascente  Este é o único vestígio físico que encontro e que faz prova que estive ausente daqui . Noutro tempo que fui , ainda estaria exultante , ébrio das paisagens que vi . Mas estou sempre igual agora , exânime serei . 
     Peço livros e barcos emprestados - um dia jurei de ter uma biblioteca só para mim , confesso porém : tornei-me um perjuro . (...) A minha religião é contemporizar . Uma vez por mês , abro uma garrafa de vinho caro e bebo-a ás escondidas , porque não tenho com quem . E se nos outros dias observo a frugalidade , sou como esses de quem fala o Platão : forte por medo e temperante por intemperança . 


      S.T. , Nove histórias 

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